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MODA NA ESCOLA: ENTRE AUTOEXPRESSÃO, IDENTIDADE E CULTURA URBANA

Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira
Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira

A moda é um reflexo vivo do tempo. Ela traduz comportamentos, levanta bandeiras, desconstrói padrões. Nas ruas, nas redes, na arte — e também nos corredores da escola. A equipe do caderno DOM.CRIATIVO mergulhou nesse universo ao observar como os alunos da EE José Domingos da Silveira se vestem, o que isso revela sobre quem são e como se sentem, e quais estéticas estão (conscientemente ou não) presentes em suas escolhas visuais.


A pesquisa de campo revelou dados significativos: mais de 60% dos estudantes acreditam que seu estilo revela quem são e 57,3% se sentem mais confiantes quando se vestem de forma que gostam. A maioria ainda declarou que se veste para si mesmos (52%), sinalizando uma busca por autenticidade e conforto — características fundamentais da moda contemporânea, especialmente nas suas vertentes mais urbanas e conceituais.


Moda como símbolo: os estilos que desfilam nos corredores


A observação direta e algumas fotos feitas pelos alunos revelam uma pluralidade de estilos que ecoam movimentos culturais globais e locais. Alguns exemplos saltam aos olhos:


Estilo Streetwear e Hip-Hop


Nos rapazes com calças jeans destroyed, tênis Adidas e camisetas com estampa nas costas, encontramos traços claros do streetwear — estilo que nasceu nos anos 1980 com forte influência da cultura de rua americana, do skate e do hip-hop. As calças rasgadas e os tênis marcantes representam o desejo de se destacar e de pertencer a um grupo, ao mesmo tempo em que reforçam o conforto e a praticidade.


Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira
Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira

O visual com camiseta preta e cinto com fivela metálica remete à estética dark street, ligada a vertentes mais sombrias e introspectivas da moda urbana, que flertam com o punk e o grunge, misturando atitude e minimalismo.


“Calça jogador” e o Estilo Raul


Esse fenômeno — bastante citado pelos estudantes — é uma moda periférica brasileira em ascensão, com características próprias: calças mais justas, camisetas lisas ou discretamente estampadas, tênis de marca. É uma moda que surge de baixo para cima, com forte impacto das redes sociais e da cultura do funk, do trap e do futebol de várzea. Ela cria seus próprios códigos, estéticas e heróis — como os influenciadores locais que definem tendências nos bairros antes de elas chegarem às vitrines das grandes marcas.


Estilo utilitário ou Techwear discreto


Já os alunos com calças cargo com bolsos laterais e camisetas básicas remetem ao visual utilitário, com influências do techwear. Esses estilos buscam funcionalidade e discrição, com peças amplas e neutras. São comuns entre jovens que não desejam chamar atenção, mas ainda assim se inserem em tendências contemporâneas — como se afirmassem: “estou na moda, mas no meu próprio ritmo”.


Estilo Tomboy/Minimalista entre as meninas


Algumas meninas usando tênis street style, calça cargo e camiseta oversized carregam elementos do estilo tomboy (estética que brinca com peças tradicionalmente masculinas) e do minimalismo urbano. O look transmite conforto e atitude.


Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira
Fotografia: Equipe DOM / Na imagem: Estudante da EE PEI Prof. José Domingos da Silveira

Moda de rua e moda conceitual: quando o cotidiano vira passarela


As roupas dos alunos da José Domingos são carregadas de sentido. Embora não sejam assinadas por grandes grifes, são escolhas que ecoam as passarelas da street fashion global. A moda aqui não é luxo — é linguagem. É resistência. É tentativa de pertencimento e expressão.


Enquanto a moda conceitual trabalha com a ideia, a crítica e a arte, a moda de rua nasce do concreto: da periferia, do transporte público, dos bailes, das calçadas. Mas ambas se tocam no ponto essencial: a roupa comunica.

E se comunicam tanto que mais de 60% dos alunos já deixaram de usar algo por medo da opinião alheia, segundo a pesquisa. O dado revela como a moda também pode ser campo de disputa: entre o desejo de ser quem se é e o receio do julgamento externo.


Moda e protagonismo estudantil


A liberdade de vestir-se com autenticidade é um dos pilares do ambiente escolar observado. Isso faz com que novatos se sintam acolhidos, que veteranos se fortaleçam em sua identidade e que o espaço educativo se torne, também, um território estético.


Diante disso, propostas como desfiles, oficinas de customização e rodas de conversa sobre estilo e autoestima — desejadas por quase metade dos entrevistados — poderiam enriquecer o currículo da escola, permitindo que os estudantes aprendam sobre cultura, design, história e arte, usando o próprio corpo como suporte e manifesto.


Porque a moda não é só roupa — é linguagem, cultura e poder


Conforme bem destacaram os próprios alunos: “a moda é beleza, é design, está nos lugares onde vamos, no que falamos e em como nos portamos”. E, acima de tudo, é expressão. Na escola, ela aparece em cada amarração de cadarço, em cada bolso lateral de calça jeans, em cada escolha de estampa ou ausência dela.

Afinal, quando um jovem decide o que vai vestir para entrar na sala de aula, ele está dizendo algo — mesmo que em silêncio. E cabe a nós escutar.



Equipe DOM CRIATIVO

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DOM — Revista Escolar. Projeto editorial produzido na E.E. José Domingos da Silveira.
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