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SER
VISTO

Quando o cuidado deixa
de ser invisível

No encerramento do ano letivo, cada profissional da escola recebeu um pequeno cartão com um poema e um bolo de maçã com especiarias. À primeira vista, poderia parecer apenas um gesto de fim de ano, um presente simples, desses que marcam despedidas e agradecimentos. Mas a ação carregava um sentido maior.

 

Os poemas entregues não eram iguais. Cada um havia sido escrito especialmente para aquela pessoa, a partir de sua função, de suas características e de sua presença cotidiana na escola. Nenhum verso foi escolhido ao acaso. Nenhuma palavra foi genérica. O que se buscava ali não era apenas presentear, mas reconhecer.

 

A ideia nasceu da convivência ao longo do ano. Dos corredores compartilhados, das reuniões, das conversas rápidas entre uma aula e outra, dos dias difíceis e também dos dias leves. Aos poucos, foi ficando evidente que cada profissional carrega um modo próprio de sustentar a escola: há quem acolha com calma, quem resolva com firmeza, quem organize, quem escute, quem impulsione. Gestos diferentes, mas igualmente necessários.

Foi nesse processo de observação que surgiu a metáfora do jardim. Um espaço onde nenhuma flor é igual à outra e onde a beleza não está na uniformidade, mas na diversidade. A escola, vista assim, é um jardim vivo: feito de pessoas, de tempos distintos, de ciclos, de cuidado contínuo.

Escrever os poemas foi, portanto, um exercício de atenção. Uma forma de dizer, sem discursos longos ou cerimônias formais: eu vi você. Vi seu trabalho, sua constância, seu jeito de estar presente mesmo quando ninguém está olhando. O cartão e o bolo não eram o centro da ação, mas a materialização desse olhar.

 

Cozinhar, assim como escrever, exige tempo, intenção e cuidado. Ambos transformam o simples em gesto significativo. A entrega dos poemas e dos bolos marcou simbolicamente aquilo que muitas vezes passa despercebido na rotina escolar: o valor humano de quem faz a escola acontecer todos os dias.

 

Este jardim não se encerra nos cartões impressos nem nas páginas desta revista. Ele continua vivo nos encontros cotidianos, nos corredores, nas salas e na memória coletiva. Que essa ação sirva como lembrete de que ninguém ali é invisível.

 

Porque reconhecer também é cuidar.

E cuidar é uma das formas mais profundas de agradecer.

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Os poemas que seguem não são ilustrações do texto anterior. Eles são o gesto em si.

 

Cada um foi escrito a partir da convivência, da observação atenta e do reconhecimento de quem sustenta o cotidiano da escola com seu trabalho, sua presença e seu modo singular de estar. Não há hierarquia entre eles, nem personagens centrais. Há pessoas.

 

As flores que acompanham os versos funcionam como metáfora visual: não representam cargos, mas presenças. São imagens suaves, desfocadas, pensadas para não disputar atenção com as palavras, apenas acompanhá-las.

 

Esta galeria convida à leitura lenta. A pausa é parte da experiência. Que cada poema seja lido como se lê um nome em silêncio: com respeito, cuidado e atenção.

 

Porque ver também é um ato.

Jasmim

Passa leve deixando memória,

registra detalhes

como quem conta história.

Seu cuidado é quase nenhum ruído,

mas muda o jardim

no gesto contido.

Professora Aline

Lavanda

Escuta em silêncio, observa em paz,

entende a vida

nos gestos mais sutis que faz.

Equilibra o mundo com tom sereno,

perfuma o tempo

num sopro ameno.

Professora Luana

Girassol

Mesmo em dias turvos procura a luz,

sabe que a fé sempre o conduz.

Na linha do tempo caminha sereno,

olhando o futuro num passo ameno.

Professor Samuel

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Magnólia

Calma na brisa, vibrante no calor,

guarda no peito um duplo fervor.

Entre livros, risos e dedicação,

florece esforço em cada estação.

Sociável, firme, perfuma o dia

com a força suave da poesia.

Professora Vanécia

Estrela-de-belém

Riso que brilha

em mundos de fantasia,

histórias que voam na luz do dia.

Entre livros, séries e sonho no ar,

faz do jardim um lugar de encantar.

Professora Franciene

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Rosa

Espinhos guardam teu coração,

que já venceu a própria exaustão.

Trabalha incansável, sente demais,

cai, levanta e segue em paz.

Professora Juliana

Íris

Tinta no vento, traço no ar,

arte que aprende a leve voar.

Entre cores suaves e gesto gentil,

sua criação faz o mundo mais sutil.

Professora Josiane

Hibisco

Corre elétrica pelo próprio verão,

espalha energia por onde estão.

Seu riso é faísca, calor que persiste,

no peito do jardim a alegria insiste.

Professora Milene

Margarida

Ri da própria tempestade,

faz da parceria sua coragem.

Entre números, risos e dia corrido,

sara o jardim com jeito divertido.

Professora Gabriele

Flor-do-vento

Paira entre foco e distração,

livre no corpo, solta na razão.

Dança no ar sem perder o centro,

é brisa que pensa por fora

e por dentro.

Professora Lionete

Bromélia

Fala cortante, pensamento afiado,

energia viva num gesto articulado.

Entre ironia e brilho no tom,

faz do jardim

um território em ebulição.

Professora Monyque

Girassol-do-campo

Sempre de boa, enfrenta o calor,

trabalha rindo, espalhando cor.

Na lida diária não solta a mão,

segura o jardim

com leve disposição.

Colaboradora Mayla

Sempre-viva

Guarda o jardim nos mínimos sinais,

entre riso e rotina nunca falha mais.

Na constância simples do dia fazer,

mostra que o sempre

também pode viver.

Colaboradora Cícera

Lírio

Discreta no passo, gigante no bem,

segurou a vida

quando ela tremeu também.

Entre ternura, dever e lealdade,

fez do cuidado sua identidade.

GOE Mônica

Dente-de-leão

Semeia conversa no vento que vai,

simples no gesto, profundo demais.

Entre todos transita

sem direção fixa,

é leve na fala, na alma é raiz mista.

Colaboradora Solange

Açucena

Carrega o tempo no passo lento,

resiste às modas, firme ao vento.

Entre resmungo e afeto guardado,

sustenta o jardim no chão já pisado.

Professora Jovinete

Gardênia

Simples no gesto, gigante no fazer,

cuida do invisível sem aparecer.

Na rotina silenciosa

que ninguém vê,

o jardim sobrevive porque você crê.

Colaboradora Rosângela

Flor-de-libreto

Ri, trabalha solto,

vive leve, mas nunca absorto.

Entre suor, riso e chão varrido,

mantém o jardim sempre florido.

Colaborador Felipe

Baobá

Guarda o jardim

com firmeza e paixão,

sustenta a escola no gesto e na ação.

Raiz resistente, tronco que abriga,

sua força serena nunca fadiga.

Do coração ao chão, abraça o sertão.

Diretora Robenicia

Camélia

Desce no ar feito calma tardia,

apaga conflitos com rara poesia.

No tom do silêncio,

sem pressa ou guerra,

acalma tempestades,

suaviza a terra.

Vice-diretora Cirleide

Lótus

Brota sem perder pureza,

traz no olhar força e delicadeza.

Amiga que acolhe sem fazer alarde,

resiste no fundo, floresce na tarde.

Coordenadora Marli

Orquídia

Ergue-se firme em haste elegante,

ensina em silêncio,

presença marcante.

No gesto preciso, no verbo sutil,

faz da ciência um laço gentil.

Professora Glauciane

Flor-de-maracujá

Abre-se inteira em emoção,

se entrega ao jardim de coração.

Na alegria que chora e sorri,

ensina a sentir, existir, prosseguir.

Professora Glária

Cravo

Ferve no cuidado o tempero da mão,

serve carinho em forma de pão.

No prato quente que o dia sustém,

o jardim aprende que

amor também vem.

“Quem alimenta o jardim”

Alecrim

Memória líquida em forma de chá,

conforta antes mesmo de se provar.

No cheiro simples da refeição,

o jardim descansa o coração.

Manjericão

Cresce no afeto do fogo aceso,

temperando o mundo

no menor dos pesos.

Na mão que serve, no aroma do ar,

o jardim aprende a se cuidar.

Flor de laranjeira

Doce no cheiro, firme no calor,

alimenta a alma antes do sabor.

Entre vapor, panela e oração,

o jardim floresce em refeição.

Estes poemas são dedicados às cozinheiras da escola.

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DOM — Revista Escolar. Projeto editorial produzido na E.E. José Domingos da Silveira.
© DOM Revista Escolar — Todos os direitos reservados.

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