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O FUTURO DO LIVRO NA ERA DIGITAL

Reflexões sobre o futuro da leitura na era digital


Desde que o Kindle foi lançado pela Amazon, em 2007, muita gente acreditou que o fim dos livros de papel estava próximo. Com preços atrativos, praticidade e acesso instantâneo a milhares de títulos, os e-books ganharam espaço rapidamente. Mas o que parecia uma revolução irreversível logo encontrou um limite: os leitores começaram a perceber que, embora o digital tivesse vantagens, a experiência do livro físico ainda era insubstituível.


Na escola, a realidade reflete esse equilíbrio. Em uma pesquisa realizada com os alunos, 54,1% disseram preferir o livro físico, e 85,1% já usaram alguma plataforma digital para ler, mostrando que as duas formas de leitura convivem no cotidiano juvenil. O dado mais revelador, porém, é que 78,4% afirmam que o mais importante é a história – não importa o formato. Ou seja, para essa nova geração, o essencial é ter acesso à leitura, seja folheando páginas de papel ou deslizando o dedo pela tela.



Digital, mas com limites


A leitura digital, com certeza, ampliou o acesso: hoje há aplicativos gratuitos, grupos em redes sociais como o Telegram, e sites com acervos disponíveis. O preço menor dos e-books, a possibilidade de ajustar o tamanho da letra e de carregar dezenas de livros no celular são atrativos importantes – apontados por 58,1% dos alunos entrevistados. No entanto, muitos ainda reclamam da experiência de leitura nas telas. Como explica o sociólogo John B. Thompson, a leitura de textos longos em formato digital "não é tão boa quanto a experiência de lê-los em páginas impressas" (revista.usp.br).


E tem mais: os audiolivros também estão mudando o jogo. De acordo com o site digitalmix.brasil.com.br, eles facilitam a inclusão de pessoas com dislexia, deficiência visual ou com pouco tempo para parar e ler. Apesar disso, nenhum aluno marcou o audiolivro como formato preferido na pesquisa, o que pode indicar falta de familiaridade com esse recurso.


A experiência do papel


A experiência sensorial do livro físico ainda encanta. Sentir o papel, folhear, marcar trechos e ver os livros na estante foram as características mais valorizadas pelos estudantes.


Apesar de 27% acreditarem que os livros físicos podem ser substituídos no futuro, a maioria (51,4%) acredita que eles sempre existirão. A convivência entre formatos parece ser o caminho mais provável – e desejado.


E na escola, como fica?


Mais da metade dos alunos (55,4%) disseram que gostariam que a escola promovesse mais projetos de leitura. Isso mostra que o desejo por leitura está vivo – o desafio é oferecer diferentes formas de acesso, respeitando as preferências e os contextos de cada um.


Afinal, como revelam os dados, o futuro do livro não é uma substituição, mas uma transformação. E a escola pode ser o espaço onde todos esses formatos se encontram, onde a leitura – em qualquer suporte – continue sendo uma prática viva, prazerosa e transformadora.


Equipe DOM LITERÁRIO

Fontes consultadas:

  • Thompson, John B. A reinvenção do livro. Revista USP.

  • “Audiolivros e o novo modo de consumir leitura.” digitalmix.brasil.com.br

  • Pesquisa de campo com alunos da E.E. José Domingos da Silveira – Maio de 2025


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