Representatividade Feminina
- Douglas Faria Soares
- há 2 dias
- 4 min de leitura
A liderança feminina da EE PEI José Domingos da Silveira
Em tempos de tantas transformações no campo educacional e social, a presença de mulheres em cargos de liderança segue sendo um ato de resistência e inspiração. Na Escola Estadual PEI José Domingos da Silveira, esse protagonismo tem rosto, história e propósito: quem lidera a instituição são três mulheres de trajetórias firmes e corações generosos. Marli Hermenegildo (Coordenadora Geral), Cirleide Passos Silva (Vice-diretora) e Robenicia Pereira Vaz (Diretora) formam o trio gestor que conduz com sensibilidade, firmeza e compromisso uma das escolas mais atuantes da região. A equipe da Revista DOM. conversou com elas em uma roda de conversa recheada de emoção, força e inspiração.


"Quem inspira vocês?"
A pergunta que abriu a conversa já trouxe à tona a força ancestral feminina. Todas destacaram a importância de suas mães como referência de luta e cuidado.
“Minha mãe é minha inspiração diária”, compartilhou Marli, a coordenadora. “E na minha carreira, foi a Claudinha, minha primeira diretora, quem me motivou.”
Cirleide seguiu a mesma linha: “Minha mãe batalhou para que a gente estudasse. E minha professora de matemática, Beatriz Mantovanelli, me fez amar a disciplina a ponto de escolher esse caminho.”
Já Robenicia disse: “Minha mãe, claro, sempre foi inspiração. Mas minha professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio, que lia São Bernardo com tanta paixão, me fez querer ler e estudar. E depois, já na faculdade, tive o professor Sérgio, que se arrepiava ao ler. Era como se ele carregasse uma mulher sensível dentro dele.”
Da sala de aula ao topo da gestão
Robenicia contou sua trajetória sem filtros: mãe jovem, interrompeu os estudos na sétima série e sentia vergonha por isso. Mas a virada veio com o EJA: “Fiz com excelência, tirei nota dez em tudo.” Depois vieram a faculdade de pedagogia, a pós, o trabalho como professora de Língua Portuguesa e Espanhol, a vice-direção em Itapevi e, finalmente, a direção da atual escola. Um exemplo claro de que liderança se constrói com esforço e sonho.
Ela defende que a presença feminina na direção escolar é essencial: “A mulher tem mais sensibilidade para perceber detalhes, para lidar com conflitos e também com a estética e a organização. É algo natural.”
Cirleide também vê o feminino como potência. Para ela, um dos maiores desafios é conciliar a vida profissional com a familiar: “Trabalhávamos nos finais de semana, deixando a família em casa. Meu filho e meu marido me esperavam no carro enquanto eu estudava.” Ainda assim, acredita que quando mulheres assumem posições de liderança, “trazem o carinho sem perder a força”.
Marli complementa o raciocínio lembrando que o equilíbrio entre razão e emoção é um desafio constante: “Liderar exige ponderar tudo o tempo todo. Mas meu conselho às meninas é: estudem, acreditem no seu potencial, porque todas são capazes.”

O que orgulha essas mulheres?
A maternidade e o impacto na vida dos alunos foram os pontos altos da conversa.
Marli lembrou: “Tenho ex-alunos dentistas, jornalistas, fisioterapeutas... Eles são o meu orgulho.”
Cirleide compartilhou: “Minha neta fala pra todo mundo que a vó é vice-diretora. E ainda diz que não precisa prestar atenção na escola porque eu ensino tudo em casa!”
Robenicia falou da emoção de ver sua filha contando sua trajetória para os netos. “Saber que sou um espelho para minha família e para os alunos me emociona.”
"Vocês sentem falta da sala de aula?"
As três responderam sem hesitar: sim.
Cirleide disse que ama o convívio direto com os alunos, oferecer ajuda, conversar. Robenicia sente falta das trocas, mas se enxerga hoje como alguém que contribui ainda mais nos bastidores da escola: “Sem organização, não há aula. O professor entra, mas todo o entorno é feito por nós.” Marli arremata: “Na sala era mais simples, só eu e meus alunos. Agora é a organização que garante que tudo aconteça. Mas a nossa missão é a mesma: garantir que vocês aprendam.”
Representatividade que inspira

A força do trio gestor da EE PEI José Domingos da Silveira é a prova viva de que liderar com empatia, coragem e competência é um ato político e transformador. São histórias de superação, estudo, maternidade, amor pela educação e uma firme crença de que meninas podem — e devem — sonhar com o topo.
Quando alunas olham para essas três mulheres à frente da escola, não veem apenas gestoras. Veem espelhos possíveis de futuro.
A Revista DOM. agradece a Marli, Cirleide e Robenicia pela generosidade e por inspirarem não só os alunos, mas toda a comunidade escolar com sua presença forte, sensível e profundamente transformadora.
Equipe DOM.DOC





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